SÍNODO DO POVO DE DEUS 2001
COMUNICADO DE IMPRENSA No 4
4 de Outubro, 2001
http://www.shadow-synod.net



Contacto:
Christian Weisner (porta-voz)
Tobias Raschke (chefe da equipe dos media)
Tel.+39-06 32 08 837
Fax:+39-06 32 08 841
e-mail: media@shadow-synod.net

Reformadores Católicos lançam Sínodo Sombra e Pedem aos Bispos reunidos no Sínodo de Roma: «Abram o Sínodo dos Bispos e abram os vossos corações às preocupações dos Católicos»

Roma, Itália – Grupos de católicos vindos de vários pontos do mundo reúnem-se a partir de hoje em Roma e pediram aos dignatários do Vaticano que abram o Sínodo dos Bispos, que se encontra a decorrer à porta fechada, aos contributos e às preocupações de todos os católicos. Falando numa conferência de imprensa tendo em vista lançar uma reunião paralela – que tem sido descrita por católicos a favor da reforma na Igreja, como um ‘sínodo sombra do povo de Deus’ – os organizadores católicos tornaram pública uma carta que na semana passada foi enviada ao Cardeal Schotte, o secretário geral do Sínodo dos Bispos. Expõem nessa carta as suas preocupações, pedindo um diálogo sério com o a hierarquia acerca do futuro da fé. Os organizadores também convidaram os Bispos a estarem presentes no Sínodo sombra.

O ‘Sínodo do Povo de Deus’ (SOPOG, nas siglas inglesas) representa várias vozes católicas de diversos pontos do mundo, que se reúnem esta semana a fim de debater o papel e a função dos bispos diocesanos, avaliar a situação actual da Igreja Católica Romana e definir objectivos para o futuro. O Sínodo sombra consiste numa série de encontros, reunindo mais de 50 católicos vindos de diversos países da Europa, da América do Norte e do Sul, da frica e da sia, entre 4-7 de Outubro de 2001. Mais de 300 grupos e redes de católicos deram o seu aval a este sínodo do povo de Deus. É provável que o Sínodo Sombra apela à realização de reformas substanciais na Igreja Católica que possam integrar o pensamento teológico mais actual. Realiza-se em paralelo com uma reunião ou sínodo de bispos vindos de todo o mundo, sínodo esse onde os leigos não podem participar e que, de acordo, com os grupos pró-reforma, não vai encarar os problemas graves da Igreja dos tempos presentes. O Sínodo dos Bispos abriu a 30 de Setembro e vai continuar os seus trabalhos até 27 de Outubro. Os dirigentes do Sínodo Sombra enfatizaram que todos os membros da Igreja são Povo de Deus e que todas as vozes têm igual importância. «Condições de liberdade para o debate teológico dentro da Igreja Católica são tanto um produto como um prerequisito do Evangelho de Jesus Cristo de acordo com a Santa Bíblia,» afirmaram representantes do sínodo sombra. Entre os principais apoiantes do Sínodo Sombra encontra-se a Rede Europeia ‘Igreja em Movimento’ e o Movimento Internacional ‘Nós somos Igreja.’

Valerie Stroud, a secretária-geral do Sínodo Sombra e membro do ‘Nós somos Igreja’ no Reino Unido afirmou: «O estilo de liderança a que estamos submetidos hoje em dia pelo Vaticano tem mais a ver com uma grande empresa multinacional sem rosto do que com aquilo que é suposto nós sermos, ou seja uma família de Deus.» Acrescentou ainda Stroud: «É evidente que a razão pela qual se juntaram aqui católicos vindos de vários pontos do mundo a fim de desafiar a liderança na Igreja é porque amamos profundamente a nossa Igreja e estamos muito preocupados com o seu futuro. Estudos realizados em diversos países, tais como a Irlanda, Itália, México, Filipinas e E.U.A. acerca da opinião dos católicos sobre diversos assuntos mostram claramente que há cada vez mais rejeição do tipo de liderança que actualmente temos na Igreja. A nossa mensagem para os bispos é bem clara: algo terá que mudar na nossa igreja e queremos colaborar convosco nessa mudança. Somos leigos católicos, dispostos a partilhar as dificuldades e a responsabilidade de enfrentar o futuro da Igreja. Pedimos que se reunam connosco.»

Elfried Harth, uma porta-voz do Movimento Internacional ‘Nós Somos Igreja’ afirmou:«Durante o próximo mês de Roma, o Sínodo dos Bispos deverá discutir o papel dos bispos e encarar as questões do futuro da Igreja. É um erro grave da hierarquia considerar que conseguem ter um debate produtivo quando o povo, a nível das bases, que mais vai ser afectado por esse processo de tomada de decisão está excluído, silenciado e proibido de participar na reunião dos Bispos. Torna-se imperioso que a hierarquia da nossa Igreja abra as portas do Sínodo especial dos Bispos e abra o seu coração às preocupações dos católicos normais vivendo em diversos pontos do mundo. A hierarquia deverá optar por um modelo de governação mais inclusivo se é que deseja recuperar a confiança e o respeito de muitos fiéis católicos que se sentem alienados pelas decisões tomadas de forma completamente unilateral pelas lideranças da igreja, e que repetidamente ignoram as realidades da vida tal como ela se vive fora do contexto da hierarquia católica.»

Christian Weisner, porta-voz do Sínodo Sombra e membro de Wir sind Kirche da Alemanha declarou que em vez de se deixaram estar sentados nos bancos corridos das igrejas, numa atitude depressiva, ou, pura e simplesmente, deixar de frequentar a Igreja, há católicos que agora têm a coragem de falar abertamente e dizer à hierarquia o que vai mal na igreja. Weisner acrescentou: «O que está a acontecer entre os católicos progressistas é algo de novo. Já há muito que participamos e vivemos uma igreja reformada nas nossas comunidades de base em frica, Europa, sia e nas Américas. Graças à Internet, os católicos a favor da reforma, vindos do norte global e do sul, têm estado em diálogo activo uns com os outros. Embora as nossas circunstâncias possam ser diferentes, descobrimos que partilhamos as mesmas preocupações, as mesmas frustrações e a mesma visão de uma igreja reformada e renovada. Hoje estamos a realizar um passo importante e significativo : trazer para Roma estas vozes múltiplas porque reconhecemos que se as políticas da Igreja vão mudar, tal só se realizará se a hierarquia nos ouvir.»

Referindo-se ao impacto que se espera que esta iniciativa venha a ter, Weisner acrescentou: «Embora haja obviamente quem, na hierarquia nos queira levar de regresso à igreja fechada do antes do Vaticano II, sabemos que há muitos bispos que partilham as nossas preocupações e a nossa visão de uma igreja mais inclusiva e repleta de alegria. Sabemos que tudo o que vamos debater será bem- vindo para muitos e tencionamos partilhar os resultados dos nossos debates no Sínodo do Povo de Deus com o papa e com os bispos. Temos um contributo a dar e estamos aqui para garantir que a hierarquia nos dê ouvidos. Trata-se de um início de uma nova fase de acção para os católicos progressistas no mundo inteiro. É a madrugada de uma nova era. Encontramos a nossa voz.» Os e as participantes no Sínodo do Povo de Deus vai discutir a estrutura e a participação dos Católicos no processo de decisão, o papel e as responsabilidades dos bispos, a situação das mulheres na igreja, o futuro da igreja e o ecumenismo. Os católicos favoráveis a reformas colocam uma série de questões, tais como a necessidade de sacerdotes casados, a proibição da ordenação das mulheres, a proibição do divórcio e da contracepção e a exclusão de vozes católicas do processo de decisão na igreja.

Na carta ao Cardeal Schotte, os/as organizadores/as solicitaram uma reunião com os bispos, tendo nomeadamente escrito o seguinte: «Embora saibamos que há membros da hierarquia que afirmam que a igreja não é uma democracia, acrescentamos que também não é uma monarquia absoluta nem uma ditadura, mesmo que suave. Cremos, sinceramente, que os católicos, a partir das suas experiências de vida, têm muito que oferecer a fim de enriquecer os debates dos nossos irmãos bispos. O mundo mudou muito e por vezes as mudanças, embora difíceis, trazem consigo nova vida, energia e esperança. Não há qualquer razão pela qual os aspectos da igreja que foram construídos por decisão humana não possam ser mudados a fim de ter em conta as novas realidades. Aguardamos a vossa chamada.»

No encerramento do Sínodo Sombra, que ocorre em 7 de Outubro, os/as participantes vão elaborar um documento final que será apresentado aos bispos, partilhado com os meios de comunicação social e distribuído entre os católicos em todo o mundo.

Entre 2 e 8 de Outubro vai funcionar uma sala de imprensa do
Sínodo Sombra na Facoltà Valdese di Teologia,
Via Pietro Cossa, 42,
I-00193 Roma
Itália


[ Enviar este texto ]