REFLEXÃO DA SECÇÃO PORTUGUESA
DO MOVIMENTO INTERNACIONAL ‘NÓS SOMOS IGREJA’
sobre a X Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos,
Roma — 30 de Setembro e 27 de Outubro de 2001
com tema: O Bispo, Servo do Evangelho de Jesus Cristo para a Esperança do Mundo
Consideramos que toda a pastoral diocesana está demasiadamente centrada na
pessoa do Bispo, que, mesmo quando coadjuvado com bispos auxiliares,
desempenha, quase sempre, os seus ministérios com excessiva distância em
relação ao Povo de Deus. Não se cria espaço para que leigos e clero possam
desenvolver os seus dons ao serviço do Evangelho.
O Bispo deverá ser servo da Esperança do mundo em Jesus Cristo, permitindo
que os fiéis que lhe estão confiados cresçam na fé, na responsabilidade, no
compromisso, e não um funcionário nomeado e controlado pelo Vaticano. Em
fidelidade à Boa Nova de Jesus Cristo, não deverá discriminar qualquer grupo.
Assim, mais importante do que as qualificações académicas do Bispo são as
suas qualidades humanas, de fé, de humildade e de capacidade de ouvir,
procurando relacionar-se com todas as pessoas. Deverá despojar-se de muita
coisa supérflua a nível de protocolo e de estilo de vida.
Para que o Bispo possa ser servo da Esperança do mundo em Jesus Cristo,
deveráser eleito pela comunidade dos crentes. Está longe o tempo em que Santo
Ambrósio de Milão, um cavaleiro leigo, foi aclamado Bispo pelo povo, que viu nele
as qualidades exigidas a um verdadeiro Pastor. O que se passa hoje em dia em
Portugal, em que a comunidade dos fiéis toma conhecimento da nomeação de
qualquer Bispo, pelos meios de comunicação social, é uma situação anómala,
escandalosa e que acaba por dificultar gravemente a função do Pastor, na
medida em que não há nenhum envolvimento dos cristãos na sua escolha.
Os Bispos têm, ainda, que testemunhar um espírito ecuménico que actualmente
anima muitos cristãos. Contudo, o ecumenismo não se pode conceber como a
união de todas as Igrejas sob o primado do Papa. Deverá procurar que haja
comunidades de fiéis unidas no amor a Jesus Cristo tal como se desenha nos
Actos dos Apóstolos (Act 2, 42-45). União não implica uniformidade mas sim a
aceitação da diversidade e o respeito de várias versões e dinamismos.
Concluindo, dado que Jesus nos pediu para espalharmos o Evangelho em toda a
terra, mais importante do que centrarmo-nos sobre a pessoa do Bispo
isoladamente, cremos ser o reequacionar dos ministérios ordenados – quem é
escolhido, como é formado e como exerce. Torna-se portanto prioritário reflectir
sobre as questões do celibato imposto aos presbíteros e sobre a exclusão das
mulheres, assim como sobre a separação, contraditória com a mensagem
evangélica, existente entre leigos e clero.
Lisboa, 7 de Setembro de 2001
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